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  • Lenara Gonçalves

Higiene ocular

Atualizado: 9 de Jul de 2020

Assim como nos humanos, é natural que haja presença de algumas secreções nos olhinhos dos cães, especialmente quando eles acordam, a famosa remela. Muitos tutores ficam em dúvida a respeito do assunto e não sabem exatamente o que fazer para limpar essas secreções.


A higiene e a limpeza dos animais de estimação são essenciais para que eles tenham uma vida saudável. Nesse contexto, os olhos se destacam, exigindo grande atenção na hora da higiene. Remover as remelas mais densas e limpar suavemente os olhos deve fazer parte do processo de higiene diária do nosso amigo.


Também é importante que o tutor saiba reconhecer os diferentes tipos de remelas. É preciso distinguir principalmente se estão normais ou verdes e de consistência cremosa. Frente a qualquer desconfiança, é preciso procurar um médico veterinário. Ele vai fazer os exames adequados e definir se a secreção está normal ou requer algum tipo de tratamento.


Posso usar colírios?


Em muitos casos, os colírios são grandes aliados. No entanto, eles sempre devem ser receitados pelo médico veterinário oftalmologista.


Existe uma consideração especial em relação ao risco de ocorrência de contaminação de colírios, frascos de medicamentos e soluções oculares em uso, devido à possibilidade de veiculação de microrganismos potencialmente patogênicos para o olho (JOSÉ, A.C.K et al; 2007).


Diversas medidas devem ser tomadas para manter a esterilidade de produtos para uso ocular. Os colírios, geralmente, contêm substâncias preservativas para manter a estabilidade da medicação e diminuir a possibilidade de contaminação. Para reduzir a taxa de replicação de contaminante microbiano em colírios com formulação multidose e de uso domiciliar, recomenda-se o uso no máximo por um mês no caso de colírios com preservativos, enquanto os colírios sem preservativos, contendo alcalóide ou antibiótico, devem ser utilizados por até uma semana, desde que conservados em temperatura entre 2 e 8°C (JOSÉ, A.C.K et al; 2007).





E o ácido bórico?


O ácido bórico é inorgânico com fórmula química H3BO3 e é usado medicinalmente como solução anti-séptica e de irrigação ocular, possuindo propriedade microbiostática nas primeiras 24 horas de exposição e propriedade microbicida após um maior período de uso (JOSÉ, A.C.K et al; 2007).


O ácido bórico é bem absorvido através da pele lesada e mal absorvido em pele íntegra. A forma mais comum de intoxicação por ácido bórico é a absorção pela pele. Após a ingestão oral, o ácido bórico é rápida e altamente absorvido e sua intoxicação pode causar graves alterações sistêmicas, além de hiperemia conjuntival e "rash" cutâneo. Exposição à poeira do ácido bórico provoca, comumente, irritação ocular.


Devido aos relatos de toxicidade, o uso de ácido bórico tópico é raramente disponível nos EUA e seu uso como solução anti-séptica e de irrigação foi abandonado pela classe médica americana (JOSÉ, A.C.K et al; 2007).





Qual a solução mais prática?


A limpeza pode ser feita com xampu neutro preferencialmente diluído em água. Existem substâncias próprias para uso ocular (ALVES, J. S; 2010). Também pode ser utilizado soro fisiológico para limpeza eventual, respeitando medidas de manuseio e conservação do produto, e gaze para auxílio.


O mais importante é nunca esfregar a superfície do olho ou utilizar recursos não recomendados pelo médico veterinário oftalmologista. Na dúvida, procure esse profissional.





Quer saber mais? Tem alguma dúvida? Deixe seus comentários abaixo!




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


ALVES, J. S. Tratamento. In: Olho seco. E-papers serviços editoriais: Rio de Janeiro, Cap 63; 2010.


JOSÉ, A.C.K. et al. Uso ocular de água boricada: condições de manuseio e ocorrência de contaminação. Arq. Bras. Oftalmol. vol.70 no.2 São Paulo Mar./Apr. 2007.

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