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  • Lenara Gonçalves

Sequestro corneano felino

Caracteriza-se pelo aparecimento de uma placa no estroma corneano com coloração que varia entre âmbar e negro, geralmente de localização central e muitas vezes associada a outras alterações oculares como dor, epífora, conjuntivite, ulceração, neovascularização e edema corneal (Moore, 2005).


A etiologia e a patogenia da doença ainda não são bem conhecidas, embora já tenham sido identificados diversos fatores predisponentes para o seu desenvolvimento, como alterações oculares que provocam irritação crônica e erosão da córnea, tais como entrópio, ceratite herpética, ceratite de exposição e alterações qualitativas e quantitativas da produção lacrimal (Cullen, Wadowska, Singh, & Melekhovets, 2005).


O sequestro pode ser iniciado por irritação e danos na córnea devido à exposição, defeitos anatômicos ou causas infecciosas. LaCroix et al. relataram que 2/21 (10%) das úlceras não cicatrizantes tratadas com debridamento e 4/13 (31%) tratadas com um ceratotomia em grade desenvolveram sequestro corneano, apoiando a hipótese de que a formação de sequestro se desenvolve como uma sequela a danos no estroma. O papel do herpervírus permanece pouco claro. Experimentalmente, o sequestro ocorreu após a ocorrência de danos crônicos e ceratite estromal (Wendy, M. T. 2008).


Outro processo proposto no desenvolvimento do sequestro corneano é a apoptose, uma vez que se observaram ceratócitos apoptóticos através de microscopia eletrônica (Cullen et al., 2005). A apoptose é uma forma de morte celular autoinduzida consequente de um processo patológico, nomeadamente infeção viral (Myers & McGavin, 2007). Pensa-se que a apoptose é uma consequência de mediadores libertados após lesão epitelial por HVF-1, limitando a extensão da infeção viral e a lesão do estroma corneano pela migração de células inflamatórias (Cullen et al., 2005).


De um modo geral, a lesão limita-se ao epitélio e à parte anterior do estroma, mas pode atingir a membrana de Descemet ou mesmo causar perfuração do bulbo ocular (Galera et al., 2008).


Uma abordagem exclusivamente farmacológica ao sequestro corneal felino é apenas viável nos casos em que o paciente não apresenta desconforto ocular, se for provável a extrusão espontânea e rápida do sequestro e se não houver risco de aprofundamento da lesão ou de perfuração da córnea (Featherstone & Sansom, 2004; Martin, 2010).


A abordagem terapêutica mais utilizada ocorre por meio do tratamento cirúrgico, através de diversas técnicas tais como, ceratectomia associada a procedimentos como flape conjuntival pediculado, enxertos heterólogos, flape de terceira pálpebra, biomateriais entre outros.


O uso de biomateriais como enxertos depende de critérios essenciais, tais como a resposta imune e o mínimo de inflamação do receptor, um perfil de reabsorção, o tecido inversamente proporcional à taxa de regeneração, boa fixação celular, proliferação celular controlada, migração e diferenciação. Idealmente, biomateriais devem ser completamente degradados e substituídos por tecido normal (BALLAND, O. et al; 2015).




Referências Bibliográficas:


BALLAND, Olivier; POINSARD, Anne-Sophie; FAMOSE, Frank; GOULLE, Frederic; ISARD, Pierre-Francois; MATHIESON, Iona; DULAURENT, Thomas. Use of a porcine urinary bladder acellular matrix for corneal reconstruction in dogs and cats Veterinary Ophthalmology (2015) 1–10. Disponível em: DOI:10.1111/vop.12326


CULLEN, C. L., WADOWSKA, D. W., SINGH, A., & MELEKHOVETS, Y. (2005). Ultrastructural findings in feline corneal sequestra. Veterinary Ophthalmology, 8(5), 295-303.


FEATHERSTONE, H. J., SANSOM, J., & HEINRICH, C. L. (2001). The use of porcine small intestinal submucosa in ten cases of feline corneal disease. Veterinary Ophthalmology, 4(2), 147-153.


GALERA, P. D., FALCÃO, M. S. A., RIBEIRO, C. R., VALLE, A. C. V., & LAUS, J. L. (2008). Utilization of the aqueous extract of Triticum vulgare (Bandvet®) after superficial keratectomy in domestic cats afflicted with corneal sequestrum. Ciência Animal Brasileira, 9(3), 714- 720.


MOORE, P. A. (2005). Feline corneal disease. Clinical Techniques in Small Animal Practice, 20(2), 83-93.


TOWNSEND, Wendy M., RANKIN, Amy J., STILES, Jean and KROHNE, Sheryl G. Heterologous penetrating keratoplasty for treatment of a corneal sequestrum in a cat. Veterinary Ophthalmology (2008) 11, 4, 273–278.

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